Psicologia
TEMA: “Educação e
Saúde Mental”
INTRODUÇÃO:
As dificuldades de aprendizagem
têm se mostrado como algo cada vez mais comum em nossa sociedade. Na base
dessas dificuldades encontramos fatores psicológicos, principalmente fornecidos
pelo sistema familiar, e culturais, que também embasam a formação da identidade
de cada um de nós. A diferença é necessária à formação da identidade, mas a
identidade diferente trás uma carga muito pesada atualmente para quem a
carrega: ser posto à margem desse mundo globalizado.
Temos, como conseqüência, um
ciclo onde a cultura impõe a necessidade de uma aprendizagem eficaz por parte
de seus membros e estes, por sua vez, sentem a necessidade deste aprendizado
para poder ter a sensação de dominação dessa cultura. Aqueles que não conseguem
se adequar a essa situação, sofrem as conseqüências de uma identidade formada
em cima de uma dificuldade (no início ligada apenas a aprendizagem, mais tarde
a todos os aspectos de sua vida). A demanda pode se tornar insuportável para
esse indivíduo que não se adequou ao modo de vida capitalista imposto pela
nossa sociedade. É aí que entra o trabalho do psicólogo e de toda a equipe
multidisciplinar, que tem como objetivo oferecer um suporte para este indivíduo
e sua família, trabalhando suas questões individuais, desenvolvendo habilidades
específicas e participando de sua realidade sócio-cultural , visando sua
inclusão neste meio.
Nas Instituições educacionais,
ainda nos deparamos com profissionais despreparados para lidar com esse tipo de
situação. Foi com essa finalidade, que o nosso grupo elaborou um projeto cujo
propósito é capacitar pais e professores que tem contato com crianças e
adolescentes necessitados de algum tratamento especial e incluí-los na
sociedade.
PCI – PROJETO DE CAPACITAÇÃO E INSERÇÃO
DIAGNÓSTICO
O projeto visa assistir a
entidades públicas ou privadas, que sejam carentes de profissionais
qualificados para atender aos portadores de necessidades especiais.
O nosso público-alvo abrange
crianças e/ou pré-adolescentes com características de comprometimento emocional
e/ou orgânico com estruturas psíquicas que tenham condições básicas de inserção
no simbólico e organização cognitiva relativamente preservada. Tendo em comum
uma forte resistência à aprendizagem, oriunda de marcas vividas no espaço da
escola regular, cuminando no processo de alfabetização. Os diagnósticos podem
ser variados: retardo mental leve e
moderado, síndrome de down e outros
portadores de necessidades especiais, além de transtornos de aprendizagem como
dislexia e TDAH.
A proposta é de trabalhar como
prestador de serviços ,quando solicitado, em espaços como escolas, creches, clubes etc., para
atender uma clientela que esteja com dificuldades em lidar com algum dos diagnósticos
citados acima.
OBJETIVO GERAL
Proporcionar ao cliente
condições para seu desenvolvimento psicopedagógico, possibilitando sua
alfabetização e sua função social. Respeitando suas singularidades,
favoreceremos a inserção social através da participação e reflexão crítica da
realidade, articulando-as aos conteúdos socialmente significativos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Prestar
assistência :
·
aos apectos percepto-motores;
·
ao desenvolvimento da linguagem oral e escrita;
·
ao desenvolvimento da independência, autonomia e
responsabilidade;
·
ao desenvolvimento do senso crítico;
·
ao desenvolvimento da capacidade criadora e da
curiosidade;
·
ao fortalecimento, através do lúdico, da função
da leitura/escrita;
·
ao desenvolvimento do pensamento e na
manifestação através de diferentes formas de expressão;
·
na participação da realidade sócio-cultural;
·
na expressão de sentimentos e emoções;
·
na construção de normas de conduta e regras para
integração social;
·
no conhecimento do meio físico e na tomada de
consciência das relações causais, espaciais e temporais;
·
na aquisição e aplicação de conhecimentos
matemáticos em situações de vida diária;
·
para propiciar trocas sociais baseadas na
reciprocidade e cooperação.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO E DINÂMICA DO TRABALHO
A partir do tema gerador,
definido no projeto, as atividades serão desenvolvidas buscando a
contextualização do mesmo numa proposta interdisciplinar. Para tal seguiremos
os seguintes métodos:
Serão realizadas entrevistas. Primeiramente, uma
individual, com a criança ou adolescente em questão, para que se localize o
problema e seja realizado o psicodiagnóstico.
Através de uma entrevista aberta (com liberdade para perguntas e intervenções)
o psicólogo buscará recolher informações a respeito de seus familiares, amigos,
sentimentos, angústias e medos do sujeito. Se durante a entrevista houver
dificuldade de comunicação por parte da criança, por exemplo, poderá ser
realizados jogos, dinâmicas, enfim,
de forma lúdica se realizará uma aproximação. Também deverão ser aplicados testes psicológicos, para a confirmação
de suspeitas de transtornos, dificuldades de aprendizagem, etc. Será emitido um
laudo.
Ainda serão realizadas
entrevistas abertas com os responsáveis e com os profissionais da escola. Ambos
fornecerão informações importantes a respeito do sujeito e também receberão diretrizes
de como agir com ele. Pais e professores compreensivos, dedicados, motivados
podem fazer toda a diferença. Importante destacar que as informações a respeito
das entrevistas serão mantidas em sigilo (fornecido somente o necessário).
Para o fim de
diagnóstico, em uma criança ou jovem com suspeita de dislexia, poderá ser
aplicado durante a entrevista individual do mesmo, o seguinte teste:
Teste PADD - v2/2005
Prova de Análise e Despiste da
Dislexia v2/2005
A prova analisa
o desempenho de crianças, jovens e adultos em tarefas de leitura e consciência
fonética e é composta pelo manual, protocolo e cartões-estímulo.
Prova no âmbito
da Neuropsicologia Cognitiva que permite analisar a consciência fonética e
articulatória dos sujeitos, bem como a capacidade de leitura e funcionamento
das vias fonológica e ortográfica, com vista ao despiste da dislexia central.
Para crianças ou
adolescentes (6 –16 anos) com dificuldades de aprendizagem e/ou retardo mental,
poderá ser aplicado o seguinte teste:
Teste WISC-III
Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças - 3ª edição
Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças - 3ª edição
O desempenho das
crianças e adolescentes pode ser analisado em termos de subtestes e de três
resultados compósitos: QI Verbal, QI de Realização e QI da Escala Completa. As
várias análises fatoriais, realizadas com base nos dados da amostra de aferição
da WISC-III, corroboraram ainda a presença de três fatores. Assim, o utilizador
poderá igualmente recorrer ao cálculo dos seguintes índices fatoriais:
Compreensão Verbal, Organização Perceptiva e Velocidade de Processamento.
Constam ainda do manual técnico estudos comparativos entre a WISC-III outras
medidas da inteligência e o nível das aquisições escolares, assim como estudos
com populações especiais (como deficiência mental, dificuldades de aprendizagem
e inteligência superior, por exemplo).
O jogo completo inclui: manual
técnico, folhas de registro, caderno de estímulos, caixa com cartões para o
subteste. Disposição de gravuras, cartão branco para o subteste Aritmética,
cartões com problemas aritméticos, caixa com cubos, puzzles para o subteste.
Composição de objetos, biombo de apresentação, cadernos de pesquisa de símbolos
e cadernos de labirintos.
ESTRATÉGIAS
Métodos Individuais:
·
Observação do educando
·
Entrevista/psicodiagnóstico
·
Aconselhamento
·
Aplicação de testes
·
Dinâmica de jogos (para crianças)
Métodos
coletivos:
·
Obsevação da vivência escolar
·
Entrevistas com pais e professores
·
Discussão em grupos pequenos
·
Estudos de caso – situação problema
·
Leitura dirigida
·
Acompanhamento das atividades (com feedback dos
resultados)
Recursos:
Humanos- Técnicos (Pedagogo, Psicólogo, Fonoaudiólogo,
Fisioterapeuta, Psicomotricista)
Físicos- Sala arejada, iluminada,confortável e silenciosa, onde
possam ser relaizadas as entrevistas individuais e coletivas; quadra esportiva.
Materiais- Cadeiras, mesas, testes psicológicos, lápis diversos,
papéis variados, cadernos, canetas, hidrocor, cola, tintas, tesouras, livros de
história, sucatas, jogos, brinquedos, isopor, cartolina, pincéis, colchonetes
ou esteiras, etc.
AVALIAÇÃO
·
Registro diários das atividades e acontecimentos
·
Relatórios de avaliação individual dos aspectos:
cognitivos, social, afetivo e percepto-motor.
·
Centros de estudos solicitados pela equipe, de
acordo com a necessidade dos clientes.
·
Entrevista de devolução para o examinando, pais
e professores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Para a divulgação do nosso
projeto, a proposta inicial é divulgar o trabalho através de folders, homepage
e outdoors.
OBS.: Trabalho realizado na graduação
Disciplina: Educação
e saúde
ESQUIZOFRENIA
1- Definição de esquizofrenia
R.: A esquizofrenia caracteriza-se por
acentuada perda de contato com a realidade (dissociação), grave divisão ou
fragmentação da personalidade, formação de um mundo conceptual excessivamente determinado pelo sentimento e
ocorrência de sintomas que assinalam uma deteriorização progressiva.
2- Epidemologia:
R.: Nos Estados Unidos, a prevalência
da esquizofrenia durante o período de vida
é relatada variadamente como estando entre 1 e 1,5% ; consistente com
esta faixa, o estudo de Área de Captação Epidemiológica (ECA) patrocinado pelo National
Institute of Mental Health (NIMH)
relatou uma prevalência vitalícia de
1,3% . Aproximadamente 0,025
a 0,05% da população
total recebem tratamento para esquizofrenia em qualquer ano determinado.
Embora dois terços desses pacientes
necessite de hospitalização, estima-se que apenas metade de todos os
pacientes esquizofrênicos obtenham tratamento, apesar da gravidade do transtorno.
3- Curso da esquizofrenia e prognóstico. Fatos
de bom prognóstico e reservado (ruim). Como a doença evolui.
R.: Curso: Um padrão sintomático pré-mórbido pode ser a primeira evidência de doença, embora a
importância dos sintomas, em geral, apenas, seja reconhecida
retrospectivamente. De modo característico, os sintomas iniciam na
adolescência, seguidos pelo desenvolvimento de sintomas prodrômicos em dias a
meses. O início dos sintomas perturbadores pode ter sido aparentemente
deflagrado por uma mudança social ou ambiental, como o ingresso na faculdade,
uma experiência com substâncias ou morte de um parente. A síndrome prodrômica
pode durar um ano ou mais, antes do início
de sintomas psicóticos manifestos.
Após
o primeiro episódio psicótico, o paciente passa por um período de recuperação
gradual, que pode ser seguido por um extenso período de funcionamento
relativamente normal. Entretanto, geralmente, ocorre uma recaída, sendo que o
padrão geral da doença, evidenciados nos primeiros cinco anos após o
diagnóstico, em geral, é preditivo da evolução a longo prazo. Cada recaída da
psicose é seguida por uma deterioração adicional do funcionamento básico do
paciente. O curso clássico da esquizofrenia consiste de exacerbações e
remissões. A principal distinção entre a esquizofrenia e os transtornos do
humor é o fracasso do paciente esquizofrênico em voltar ao funcionamento básico
após cada recaída. Às vezes, uma depressão pós-psicótica clinicamente
observável segue-se a um episódio psicótico, e a vulnerabilidade do paciente
esquizofrênico ao estresse é geralmente vitalícia. Os sintomas positivos
tendem a tornar-se menos severos com o
tempo, mas os sintomas negativos ou déficits socialmente debilitantes podem
agravar-se. Embora cerca de um terço dos pacientes esquizofrênicos tem a vida
social razoavelmente integrada, a vida da maioria caracteriza-se por falta de
objetivos, desabrigo e pobreza.
Prognóstico: Diversos estudos
constataram que, ao longo de um período de 5 a 10 anos, após a primeira hospitalização
psiquiátrica por esquizofrenia, apenas 10 a 20%
dos pacientes podem ser descritos como tendo boa evolução. Mais de 50%
dos pacientes podem ser descritos como tendo evolução desfavorável, com
repetidas hospitalizações, exacerbações, episódios de transtorno afetivo maior
e tentativas de suicídio. Apesar desses números desanimadores, a esquizofrenia
nem sempre apresenta um curso deteriorante, e diversos fatores têm sido
associados com um bom prognóstico.
Os
índices de recuperação relatados na literatura variam de 10 a 60%, e uma estimativa
razoável é de que 20 a
30% dos pacientes esquizofrênicos sejam capazes de levar uma vida razoavelmente
normal. Cerca de 20 a
30% de todos os pacientes esquizofrênicos continuam experimentando sintomas
moderados, e 40 a
60% continuam significativamente prejudicados por seu transtorno durante toda a
vida. Os pacientes esquizofrênicos
saem-se bem pior do que os pacientes com transtorno de humor, embora 20 a 25% dos pacientes com transtorno de humor também se mostrem
severamente perturbados no seguimento a longo prazo.
4- Subtipos da esquizofrenia : Paranóide –
Desorganizada ou Hebefrenica – Catatônica – Residual.
R.: Esquizofrenia Paranóide - Os
sintomas dominantes na esquizofrenia
paranóide são delírios de perseguição e
grandiosidade que dominam a atenção do paciente. Ilusões de perseguição podem
ser vívidas e bizarras. No entanto, tais pacientes não apresentam
desorganização de pensamento ou comportamento, mostram menos regressão de suas faculdades mentais,
das respostas emocionais e do comportamento que os outros tipos de pacientes esquizofrênicos. Além dos seus
delírios, eles seguidamente comportam-se de modo bastante normal, ou seja, às
vezes, comportam-se bastante bem, socialmente. A inteligência em áreas não – invadidas
pelos delírios podem permanecer intactas. É provável
que devido às suas preocupações sobre perseguições e sua necessidade de
defender seu elevado autoconceito, tais indivíduos tendem a ser ansiosos,
argumentativos e às vezes violentos quando confrontados. Os pacientes
esquizofrênicos paranóides geralmente são mais velhos que os pacientes esquizofrênicos catatônicos ou desorganizados
quando tem o primeiro episódio da doença. Os pacientes que estiverem bem até a
casa dos 20 ou 30 anos geralmente estabelecem uma vida social que pode ajudá-los durante a doença. Além
disso, os recursos egóicos dos pacientes paranóides tendem a ser maiores do que
os pacientes catatônicos ou desorganizados.
Esquizofrenia desorganizada ou hebefrênica
– Os pacientes com este tipo de esquizofrenia apresentam o maior grau de desorganização
psicológica. Eles são freqüentemente incoerentes, apresentam humor embotado,
comportamento insensato, inapropriado ou “tolo”, são socialmente retraídos e
apresentam estranhezas comportamentais tais como trejeitos faciais e maneirismo
incomum. No entanto, não apresentam um conjunto sistematizado de delírios e,
assim, não há nenhuma estrutura compreensível para o seu padrão de sintomas. O início dá-se geralmente cedo, antes dos 25 anos. Os
pacientes desorganizados geralmente são ativos, mas de um modo desprovido de
propósito, não construtivo. Há um
pronunciado transtorno do pensamento e o contato com a realidade é
pobre. A aparência pessoal e o comportamento social estão dilapidados. As
respostas emocionais são inadequadas e o indivíduo, freqüentemente, pôe-se a
gargalhar sem qualquer razão aparente. Risos incongruentes são comuns neste tipo de paciente. Eles
fazem poses, gestos e caretas. Freqüentemente passam horas conversando alto consigo mesmos ou com companheiros
imaginários. Tendem a ser incoerentes, provavelmente porque são muitos
confusos. Os pacientes desorganizados raras vezes são orientados precisamente
para informações básicas como: - quem, o
que, onde, quando, como e por quê. Da mesma forma, as alucinações e ilusões são
desconexas e inacreditáveis.
Diálogo a
seguir ilustra alguns desses traços:
Dr.: Quando
você veio aqui?
Paciente: Em
1416. Você lembra, doutor (risada tola)
Dr.: Você sabe
por que você está aqui?
Paciente: Bem,
em 1951 me transformei em dois homens. O presidente Truman foi juiz em meu
tribunal. Fui condenado e enforcado (risada tola). Meu irmão e eu recebemos
nossos corpos normais 5 anos atrás. Sou uma policial. Tenho ditafone escondido
em minha pessoa.
Dr.: Você pode
me dizer o nome deste lugar?
Paciente: Não
fui bêbado por 16 anos. Estou descansado mentalmente depois de uma atribuição
de “dirigir carrinhos” ou “penas”...
Esquizofrenia Catatônica - A esquizofrenia catatônica caracteriza-se por
um distúrbio psicomotor. Na forma clássica, o paciente catatônico é estuporado
e apresenta o que é denominado CATAPLEXIA
(flexibilidade cérea). Os pacientes
com este padrão de sintomas são como estátuas de cera no sentido que são em
geral mudos e quando colocados em uma posição determinada eles permanecerão
assim por longos períodos de tempo. Certo paciente era tão imóvel que sequer
piscava seus olhos e eles tinham que ser fechados com fita adesiva própria para que a superfície não secasse e
fosse prejudicada. Em contraste, alguns pacientes apresentam um elevado nível de
atividade motora envolvendo comportamento frenéticos, excitados, hiperativos,
loquacidade e, ocasionalmente, violência, e ainda outros podem vacilar entre o
estupor e a excitação. Embora a esquizofrenia catatônica fosse aparentemente
bastante comum há várias décadas, os indivíduos com este transtorno agora são
muito raros. A razão para o declínio na catatonia não está clara, mas pode ser
que estes tipos de sintomas sejam particularmente passíveis de melhora com as
medicações que se encontram disponíveis atualmente
Esquizofrenia Residual – Os indivíduos
diagnosticados com esquizofrenia residual tiveram pelo menos um episódio
esquizofrênico no passado e presentemente apresentam alguns sinais de
esquizofrenia, como emoções embotadas, retração social, comportamento
excêntrico, pensamento ilógicos , respostas emocionais inapropriadas e leve
afrouxamento das associações, mas tais sintomas são geralmente abafados.
Ademais, sintomas como alucinações e delírios são infreqüentes ou vagos. Embora
os indivíduos com este padrão sejam identificados como apresentando um tipo
particular de esquizofrenia, em muitos casos parece mais provável que eles
apenas estejam na fase residual do transtorno geral. Grande parte da população
esquizofrênica enquadra-se nesta descrição.
5- Sintomas positivos e negativos
R.: Os sintomas positivos incluem
alucinações, delírios, distúrbios de pensamento e comportamentos bizarros.
Estes são denominados sintomas positivos por serem sintomas ativos ou floridos.
Em contraste, os sintomas negativos incluem humor deprimido, pobreza de fala,
incapacidade de experimentar sentimentos positivos e apatia. Estes são chamados
sintomas negativos porque refletem defeitos ou carências. Um outro modo de
distinguir entre os tipos é que os sintomas positivos são comportamentos não
usualmente encontrados nos indivíduos normais, enquanto os sintomas negativos
são a ausência de comportamento encontrados em indivíduos normais.
Há
fortes correlações entre os sintomas positivos e há fortes correlações entre os
sintomas negativos, mas os sintomas positivos não estão correlacionados aos
negativos (Lenzenweger et al.,1989: McGlashan & Fenton, 1992). Isto sugere
que os sintomas positivos têm uma causa comum e que os negativos também têm uma
causa comum, mas os dois tipos de sintomas comuns têm causas diferentes. Isto é
consistente com a noção já sugerida de
que a esquizofrenia provavelmente consiste em dois ou mais transtornos
separados. Alguns pacientes podem ter tanto sintomas positivos como negativos,
deste modo sugerindo que seu transtorno origina-se de mais de uma causa
subjacente.
Sintomas positivos:
Alucinações:
Auditivas,
vozes que tecem comentários, vozes que conversam, somáticas-táteis, olfativas,
visuais.
Delírios:
Persecutórios,
ciúmes, culpa,pecado, grandiosos, religiosos, somáticos, delírios de
referência, delírios de ser controlados, delírios de leitura da mente,
irradiação de pensamentos, inserção de pensamentos, extração de pensamentos.
Comportamento
bizarro:
Vestuário,
aparência, comportamento social, comportamento sexual,comportamento agressivo e
agitado, comportamento repetitivo e estereotipado.
Distúrbio
positivo da forma do pensamento:
Descarrilamento,
tangencialidade, incoerência, ilogicidade, circunstancialidade, pressão da
fala, fala distraída, reverbaração.
Sintoma negativos:
Embotamento
afetivo:
Expressão
facial inalterável, movimentos espontâneos diminuídos, escassez de gestos
expressivos, fraco contato visual, ausência de respostas afetivas, afeto
inadequado, ausência de modulação vocal.
Alogia:
Pobreza
da fala, pobreza de conteúdo da fala, bloqueio, latência de resposta aumentada.
Avolição-apatia;
Vestimentas
e higiene, falta de persistência no trabalho e na escola, anergia física
Anedonia-Associalidade:
Interesse
e atividades recreacionais, interesse e atividade sexual, intimidade,
relacionamento com amigos e companheiros.
Atenção:
Falta
de atenção social, falta de atenção durante o teste.
Por
Rita de Cássia Moreira Menezes Mussuri
O QUE TOCA À/A PSICOLOGIA ESCOLAR
Maria Cristina Machado Kupfer
Como todo jovem que se preza, a Psicologia
Escolar não cansa de perguntar por sua própria identidade. O coro dos
estudantes, profissionais e teóricos dessa área/ária vem repetindo de modo exaustivo
e monocórdico uma só frase musical. Cantam em uníssono: "qual é o papel do
psicólogo escolar?".
Nos tempos da sua infância, a melodia era
outra. Provinha da certeza de seus praticantes de que a Psicologia Escolar
tinha assegurado o seu lugar no mundo da Educação. Jubilosamente, festejavam a
imagem recém-construída, tomada porém de empréstimo às ideologias que nela
queriam ver uma prática ortopédica, corretiva das ações dos professores sobre
as crianças. Mais que isso, pediam que confirmasse a máxima liberal segundo a
qual'as diferenças não provêm da desigualdade de oportunidades e sim das
diferenças individuais. Assim, buscando ir ao encontro daquilo que seus
criadores dela esperavam, a Psicologia Escolar elegia o objeto sobre o qual
iria concentrar seus esforços: os problemas de aprendizagem das crianças.
Durante algum tempo, então, foi necessário que
a Psicologia Escolar se alienasse nessa imagem que ela própria não construíra,
mas que lhe conferia uma identidade e uma existência.
Para os psicólogos orientados por essa
perspectiva, foi conferido um lugar concreto na escola, dentro do qual podia
exercitar suas funções. Não se tratava nem de sala de aula, nem do pátio de
recreação, nem das dependências administrativas. Era apenas uma sala de
atendimento, um espaço em que podia aplicar testes. Um espaço à margem: caso
fosse eliminado, em nada mudaria a configuração geral da escola. Se instalado a
uma distância de dois quarteirões, seu trabalho poderia prosseguir sem
prejuízos. Sua voz não fazia coro com as demais vozes da escola.
No entanto, o psicólogo entrou na escola. E lá
dentro, não podia deixar de ouvir as vozes da escola. Tinha agora ao seu
alcance novos dispositivos teóricos de leitura da realidade escolar e de seus
problemas. Sabia, por exemplo, do peso dos determinantes sociais sobre os problemas de aprendizagem.
Dispunha das leituras estruturais, segundo as quais há uma relação de
determinação recíproca entre os elementos de uma instituição. Ou seja, não seria
jamais possível estudar uma criança sem levar em conta as peculiares relações
com seus professores e pais, por exemplo.
Diante dessa mudança de visão, o psicólogo
passou então a enfrentar dois problemas: o da demanda e o da técnica. Em
primeiro lugar, como participar mais ativamente da vida da escola, se só o que
lhe pediam era que testasse, discriminasse e "expulsasse" as crianças
indesejáveis? E, caso uma brecha lhe fosse aberta, com que instrumentos iria
trabalhar, se essas teorias mais recentes ajudavam a entender, mas pouco diziam
sobre como intervir na realidade escolar?' A ética que o orientava era agora a
ética da transformação social, mas não tinha idéia de corno promovê-la com os
poucos instrumentos que a Psicologia lhe havia fornecido. Estamos agora naquele
momento em que o pré-adolescente cresceu, mas não interiorizou ainda seu novo
tamanho, e vive esbarrando pelos cantos. Sua voz oscila freqüentemente de um
registro grave para um agudo, o que decididamente não facilita a sua
participação no coro da escola! Ou seja, ora aceita seu antigo lugar de
psicometrista, ora deseja participar de uma reunião de professores. De modo
canhestro, opina, aponta erros, critica o modo "pouco afetivo" de
alguns professores, "interpreta-os". Quer agora ocupar o lugar do
maestro do coro... A escola se fecha, o trabalho do psicólogo escolar sofre uma
retração.
Onde encontrar teorias psicológicas que viessem
a orientar uma intervenção nas escolas ao mesmo tempo que levassem em conta a
análise da realidade social? Que Psicologia poderia propor uma intervenção
"não-alienante"?
Na busca das respostas a essas perguntas, o
psicólogo acabou por "topar" com a Psicanálise. Não que ela já não
estivesse de alguma forma presente. Estava, sim, exercendo influências,
sobretudo na Psicologia Clínica, e de modo impreciso quando se falava, por
exemplo, em projeção, em identidade, em "desenvolvimento afetivo".
Mas agora se tratava de ir beber diretamente da fonte, ir em busca da teoria
psicanalítica da "personalidade".
1 Justiça seja feita ao movimento institucionalista e à proposta dos
grupos operativos de Bleger. Tais idéias não chegaram, no entanto, a se
constituir em um prática efetiva junto aos psicólogos escolares em nosso meio.
De início, as perspectivas pareciam muito
promissoras. Tudo levava a crer que a ética da Psicanálise não casava bem com a
idéia de adaptação do indivíduo à realidade social, pois seus compromissos eram
com outras coisas; com o “desejo”, por exemplo, muito embora não se pudesse
entender exatamente do que se tratava quando se falava em desejo. A Psicanálise
era vista como uma prática não ideológica, e o que se pretendia, com a
Psicanálise, era transformá-la em um auxiliar na luta pela transformação
social: um homem mais equilibrado teria mais condições de lutar por ela.
No entanto, as principais barreiras contra um
casamento da Educação com a Psicanálise foram levantadas pela própria
Psicanálise. No início de sua obra, Freud acreditava que uma educação
psicanaliticamente orientada podia ter um valor profilático, porque evitaria
excessos repressivos e conseqüentemente a instalação das neuroses. No final,
porém, essa crença havia sido desmontada: faça o que fizer um educador, não
haverá como evitar a castração, o recalque e a neurose. Além disso, a
sexualidade, o inconsciente e a morte, temas que constituem a seara da
Psicanálise, precisam ser cuidadosamente evitados pelo educador. A Psicanálise
e a Educação assentam-se em terrenos opostos, não podem auxiliar-se mutuamente.
Devido à antinomia entre essas duas práticas, não é possível transformar o professor
em um psicanalista, nem criar um método pedagógico inspirado na Psicanálise
(Millot, 1987).
Mais cio que isso, o encontro da Psicanálise
com a Educação e com o psicólogo interessado em intervir de modo “não-alienado”
na instituição escolar criou ainda um outro impasse: as explicações dadas pela
Psicanálise a respeito das origens dos problemas das pessoas parece não
coincidir nem um pouco com as explicações que colocam um grande peso sobre os
determinantes sociais.
Em busca de um esclarecimento a respeito desse
aparente choque de opiniões, o psicólogo encontrou uma explicação que lhe
pareceu satisfatória: se a Psicanálise não se importa com os determinantes
sociais, é porque ela está operando com o sujeito do inconsciente, e não com o
eu do sujeito.
O eu é constituído por identificações, e se
molda a papéis sociais, se encaixa em tipos psicológicos, varia com as
condições históricas. Para a Psicanálise, todo trabalho psicológico, seja ele
realizado em uma psicoterapia individual, seja ele em uma instituição, tem como
alvo esse eu, e não o sujeito do inconsciente. Mas é preciso não esquecer que
esse eu não se confunde com o eu do cogito, da consciência. Ele possui partes
inconscientes, e é basicamente uma instância de defesa, o que o toma “cego”.
Longe de haver, nessa formulação, um menosprezo
pelo trabalho sobre o eu, o que a Psicanálise faz, ao afirmar essa distinção, é
colocar com rigor um divisor de águas. A doença mental, por exemplo, é do
âmbito do sujeito do inconsciente, e precisa ser tratada como tal; os problemas
de aprendizagem são na sua maioria problemas no funcionamento egóico, e,
portanto amplamente determinados pelas relações vividas pelas crianças no
interior da instituição escolar.
A Psicanálise coloca, portanto, limites claros
a respeito das possibilidades de uso dessa teoria fora dos consultórios: não
pode auxiliar diretamente um professor, a não ser que esse professor se
analise, não pode criar métodos pedagógicos inspirados por ela, e não tem os
mesmos objetivos de qualquer trabalho institucional.
Levando em conta todas as restrições que a
Psicanálise coloca, e admitindo que o trabalho do psicólogo em uma instituição
escolar se dirija principalmente ao eu, poderia a Psicanálise contribuir para a
leitura das instituições, para a definição de objetivos e para a criação de “técnicas”
de trabalho psicológico em uma escola?
O “espaço
psi” na escola
Modernamente, existem teorias que podem ajudar
a responder afirmativamente a essa questão.
Será preciso ter em mente que a Psicanálise que
vai nos ajudar não é a Psicanálise que se preocupa em descrever fases
psicossexuais do desenvolvimento (oral, anal etc.), nem é aquela interessada em
apontar constantemente desígnios e motivações inconscientes para os comportamentos humanos – essas formas de
Psicanálise não são, aliás. Freudianas (Japiassu, 1982). A partir do ensino de
Jacques Lacan. Psicanalista francês, alguns parâmetros passam a dirigir de modo
mais preciso o trabalho do analista. O discurso – e não o comportamento – é o
alvo da análise, e urna vez que o inconsciente se estrutura como uma linguagem,
o analista estará operando com as leis de funcionamento da linguagem, e
extraindo delas a eficácia de sua ação.
Dito de outro modo, para essa Psicanálise a
linguagem é condição do inconsciente, assim como é condição da Ciência, assim
como é condição, fundamento, de toda construção cultural. Condição, portanto. Da
construção das instituições humanas, e entre elas, a escola.
Transportando esses princípios para o âmbito de
um trabalho institucional interessado em adotá-los, admitir-se-á então que toda
instituição está estruturada como urna linguagem. Se assim é estará sujeita às
leis de funcionamento da linguagem.
Se as instituições seguem essas regras, também
podemos ler os discursos que ali se desenrolam da mesma maneira como se lê o
discurso de um sujeito em análise. Embora não estejamos psicanalisando as
pessoas da instituição, estaremos aplicando as regras de funcionamento da
linguagem à instituição como um todo.
Os discursos institucionais tendem a produzir
repetições. Mesmice, na tentativa de preservar o igual e garantir sua
permanência. Contra isso, emergem vez por outra falas de sujeitos, que buscam
operar rachaduras no que está cristalizado. É exatamente como “auxiliar de produção” de tais emergências que um
psicólogo pode encontrar seu lugar: eis o que pode propor unia Psicologia na
escola que opere com parâmetros da Psicanálise.
O que poderá acontecer quando uma instituição
estiver toda voltada para a repetição, para o igual? Pois bem, quando houver
apenas repetições, quando houver apenas discursos cristalizados, os sujeitos
não mais poderão manifestar-se. Não falarão, não poderão “oxigenar-se”, ou
seja, não poderão beneficiar-se dos efeitos de verdade e de transformação que
surgem quando há espaço para emergências ou falas singulares. Nesses casos, o
resultado poderá ser a impossibilidade de criação de novos discursos, mais
flexíveis e acompanhadores das mudanças. O passo seguinte é a fixação das
crianças em estereotipias, em modelos que lhes são pré-fixados; vem a inibição
intelectual, o fracasso escolar. Para os demais grupos da instituição escolar
onde não houver circulação discursiva, o resultado será a falta de oxigenação e
a conseqüente necrose do tecido social. A falta de circulação discursiva é o
início do fim de uma instituição, já que, não podendo jamais ficar parada, não
lhe sobrará outra alternativa a não ser recuar, e iniciar a sua atrofia.
Independentemente dos alvos a que se propõe essa instituição, eles não serão
atingidos.
De modo contrário, quando há circulação de
discursos, as pessoas podem se implicar em seu fazer, podem participar dele
ativamente, podem se responsabilizar por aquilo que fazem ou dizem. Mudam
ativamente os discursos, assim como são por eles mudadas, de modo permanente.
Um psicólogo munido dessa leitura poderá então
propor-se a criar condições para a produção de tais mudanças.
Note-se ainda uma outra conseqüência do fato de
encarar a instituição como linguagem. As modificações sofridas por um grupo
podem provocar modificações em outros grupos da instituição, sem que esses
outros tenham sido tocados ou mencionados, já que a instituição está sendo
encarada como uma rede de relações interligadas e em constante movimento, na
qual a mudança de um elemento provocará necessariamente uma alteração de
posição nos demais. Isso é uma decorrência do fato de ela ser encarada como uma
linguagem. Se há mudanças em um grupo de professores, essas mudanças poderão “transbordar”
para o grupo de crianças, sem que tenham sido dados conselhos, orientações, ou
sem que os professores tenham tido “consciência” da necessidade dessa mudança. Si mplesmente o ângulo de visão passa a ser outro, e
o que se vê é outra coisa.
Um psicólogo que faça, por exemplo, um grupo de
professores tendo como referência essa “leitura” institucional, de modo amplo,
e do grupo, em seu funcionamento interior, estará operando com princípios da
Psicanálise, sem, contudo estar psicanalisando ninguém.
Assim, acredita-se que um psicólogo possa,
atualmente, pedir à Psicanálise que lhe forneça alguns princípios orientadores
da construção de um espaço de trabalho dentro da escola.
Parâmetros
do espaço psi
O espaço psi, definido por parâmetros tomados
de empréstimo à Psicanálise, pode ser assim caracterizado:
1. O objetivo do trabalho do psicólogo na
escola é o de abrir um espaço para a circulação de discursos, naquelas
instituições em que a ausência dessa circulação estiver comprometendo a
realização dos objetivos institucionais.
2. Um psicólogo estará “autorizado” a intervir
em uma instituição quando estiver criada a transferência, seu principal
instrumento de trabalho, da qual extrairá seu poder de ação, e com a qual
poderá criar o espaço psi na escola.
3. Diante da demanda da escola, o psicólogo não
a atenderá, nem a recusará, mas a “escutará” (entendendo-se “escuta” em seu
sentido psicanalítico).
4. O trabalho do psicólogo se movimentará na
intersecção entre a Psicologia e a Pedagogia.
5. A ética que o orienta pode ser assim
enunciada: um coordenador dirige os trabalhos, mas não dirige as pessoas 2.
Cada um deverá responsabilizar-se por aquilo que diz, condição para a eficácia
da direção dos trabalhos. Disso se deduz ainda que o psicólogo não participa da
definição ou da transformação dos objetivos daquela instituição, pois não faz
uso político do poder que lhe confere a transferência. Usa-a apenas para
produzir efeitos de verdade nos participantes dos grupos, e para ajudar na
reorganização das condições de “oxigenação” daquele organismo.
Tais princípios requerem uma explicação sobre
seus fundamentos na Psicanálise. Seguem-se algumas delas.
A
escuta
A palavra recolocada em circulação é o alvo.
Para isso, seria necessário apontar, mostrar, interpretar os sujeitos nos
grupos, mostrando aquilo que só o psicólogo pode escutar? Isto não seria tirar
proveito das leis de funcionamento da linguagem, e sim das leis de
funcionamento do poder da sugestão. Estaríamos tirando proveito do pedido
dirigido ao psicólogo para que ele faça pela instituição. Há transferência de
poder da instituição para as mãos do psicólogo, mas ele não deve usá-lo
efetivamente, se quiser ser fiel aos princípios da Psicanálise.
Usando seu conhecimento sobre o funcionamento
da linguagem, será necessário supor que só a palavra proferida pelo sujeito
pode ser por ele ouvida. No entanto, ele precisa dirigir sua fala a alguém para
que esta retome e ele a ouça. Não se ouve se não usar esse recurso 3.
Portanto, o psicólogo estará em posição de escuta ativa. Para que esses efeitos
se produzam, é preciso, em primeiro lugar, que o psicólogo tenha sido colocado
pelo falante em posição privilegiada. O falante precisa autorizá-lo a ser seu
escutante. Essa autorização é “assegurada” pela transferência de que o
psicólogo será alvo. Em seguida, será necessário proferir um “escuto”, para
demonstrar essa sua disposição, para oferecer-se nessa posição específica e não
em qualquer outra. Ao contrário, caso atenda ao pedido proferido na superfície,
é possível que se feche a possibilidade de aquele pedido ter suas “verdadeiras”
raízes escutadas.
Em conseqüência, um psicólogo não aceitará a
demanda da instituição, e tampouco se recusará a aceitá-la. Só poderá escutá-la
se quiser que os sujeitos nela envolvidos venham a saber efetivamente o que
está em jogo, o que querem, do que precisam, e por que não podem formular tudo
isso.
O
espaço criado pela transferência
O trabalho do psicólogo cria na escola um espaço
que não existe concretamente, que não é nem a sala de aula, nem a sala da
diretora. Nem o pátio de recreio. Trata-se de um espaço montado, de um recorte
a partir de todos os espaços da escola. E um novo espaço que se cria quando se
entra na escola.
Como montar esse espaço na escola? E por que
ele não pode coincidir com os já existentes?
A partir do momento em que um psicólogo se dispõe
a ouvir a demanda de trabalho psicológico feita por uma escola, já se inicia o desenho desse espaço. A
escola autoriza o psicólogo a ocupar um determinado lugar, e essa autorização
indica o estabelecimento de uma transferência.
2. Paráfrase de um dito de Lacan: “o analista dirige o tratamento, mas
não dirige o sujeito”.
3. Eis um trecho de O homem do mão
seca, de Adélia Prado, que ilustra muito bem o valor da escuta cio uma
análise: “Por que peso de Corcovado e não de Pão de Açúcar? Perguntou-me o doutor,
inábil. Recusando meu primeiro discurso. Tomando meu desenfeite orgulhoso por
despojamento. Tinha mau sorriso. Não confiaria àquele homem afoito a dor da
minha alma. (...) O segundo doutor ouviu-me a um ponto que eu mesma ouvi-me. Eu
gostava da minha voz narrando, da tez, do sorriso obsceno, da estatura anã dos
monstrinhos que permitia passear entre a estante è a poltrona de couro da sala,
o doutor balançando a cabeça sem me criticar. Falei de novo ‘peso de
Corcovado’, ficou impassível escutando, era bom falar, chamar á luz do dia a
população das trevas, meu desassossego”. São Paulo ,
Si ciliano, 994. pp. 87-88.
Sendo ele o alvo da transferência, é a ele que
serão dirigidos os discursos, e essa e a condição para que ele possa lê-los. Um
psicólogo pode saber sobre a relação que um sujeito estabelece com ele porque
ele mesmo é o alvo. Mas não há como saber como é a relação de um professor com
seu aluno. Mesmo indo observá-la em sala de aula, ou ainda que o professor a
relate, estaríamos apenas vendo comportamentos, com um risco enorme de erros de
interpretação. Só poderemos intervir sobre as relações transferenciais de que
formos alvo, daí a necessidade de criar instâncias especiais de trabalho, sem a
interferência de outras tarefas ou de outras figuras de autoridade presentes.
Após ser configurada pelo estabelecimento da
transferência, prossegue a montagem desse espaço quando o psicólogo cria
enquadres mais ou menos fixos para acionar seu ‘’eu escuto”: monta grupos,
marca reuniões. Ao fazê-lo, põe a palavra em circulação. Falam os professores
no grupo, falam as crianças em outro, falam os pais na reunião. As alternâncias
de falas, as relações que o psicólogo estabelece entre elas, vão “desenhando”,
dando contornos a esse espaço. A transferência de que se é suporte e as falas
encadeadas montam o campo psi em que circulará o psicólogo 4.
Entre
a Pedagogia e a Psicologia
O espaço psi se define, em termos de “conteúdos”,
a partir da intersecção entre o pedagógico e o psicológico. Ou seja, há
aspectos do pedagógico que caem fora do seu âmbito, assim corno há aspectos do
psicológico que também não devem ser abordados. Se uma professora, por exemplo,
põe-se a falar da infância, será preciso pensar a intersecção dessa história
com a questão dela enquanto professora ali. O trabalho dirige a discussão para
esse espaço de intersecção, e despreza os aspectos mais propriamente
psicanalíticos do discurso daquela professora. Ao fazer isso, haverá também
aspectos do pedagógico que cairão fora: técnicas de alfabetização etc. Do
âmbito institucional, ficarão dentro do espaço psi aqueles aspectos que dizem
respeito, por exemplo, ao especial modo como as crianças e os professores vivem
e filtram para si as relações de poder, e ficarão fora as ações concretas que
buscam modificar tais relações.
A justificativa disso advém do âmbito possível
de qualquer trabalho com a subjetividade psicanaliticamente orientado, mas
realizado fora do enquadre do consultório: o âmbito será o do eu do sujeito, e
portanto o das identificações, o dos papéis socialmente definidos. Em uma
palavra, o do imaginário. O que está em jogo é o modo como aqueles professores
imaginam seu papel, e quais os discursos em torno desse papel que impedem seu
exercício eficaz, muito mais que a verdade última daquele sujeito do
inconsciente que “habita” um professor.
O psicólogo voltou agora, como no início, a não
fazer parte do coro da escola. Tampouco é seu maestro, nem o compositor da
melodia que entoam. Resta-lhe então o lugar do ouvinte, lugar difícil de
manter. Mas não é pelo fato de haver um ouvinte que se justifica toda a
mobilização de um coro? Não é por ele que trabalham, que se orientam? Se o
psicólogo puder se manter nesse lugar, e se puder reproduzir em uma escola os
efeitos que um.ouvinte causa a um coro, não terá trabalhado para “consertar” uma
esco1a, mas para ser um dos agentes na produção de uma instituição bem “concertada”!
BIBLIOGRAFIA
JAPIASSU. H. Indrodução à Epistemologia da Psicologia. Rio de Janeiro,
lmago. 1982.
MILLOT, C. Freud
anti-pedagogo. Rio de Janeiro,
Zahar, 1987.
SOUZA, H.R. “Institucionalismo: a perdição das
instituições”. Temas IMESC, v.1, no.l, pp.l3-24, 1984.
MACHADO, Adriana Marcondes & PROENÇA, Marilene (orgs). Psicologia Escolar: Em busca de novos rumos.
São Paulo : Casa do Psicólogo, 2004
________________________________________________________________________________________
4. Para entender melhor a transferência, ver Miller, J.A., Percurso de
Lacan. Rio de Janeiro, Zahar, 1987.
RESUMO
A Gestalt Terapia enfoca a relação entre pessoas e não a relação entre
discursos, tendo assim um enfoque holístico além das palavras, ampliando assim
a capacidade da pessoa em reconhecer a si mesmo em seu próprio processo de
vida.
O sujeito pode ter vários olhares para um mesmo objeto, dependendo do
contexto em que o objeto está inserido e, isso vai de contra ao olhar
mecanicista que é um olhar objetivo que reduz as variáveis.
Não podemos ter um olhar objetivo já que o terapeuta em si já é uma
variável, pois o mesmo também é uma pessoa inteira, com seus sentimentos, sua
história, suas vivências, que muitas vezes precisam ainda ser fechadas. A
totalidade do terapeuta não deixa de estar presente mesmo quando o mesmo acha
que só terá um olhar objetivo e que só verá a parte objetiva.
Na Gestalt Terapia o terapeuta não
fica isento diante do cliente, colocando, assim uma relação interpessoal, isso
gerou críticas à Gestalt Terapia
O terapeuta Gestaltista se envolve
na relação, pois não analisa e, sim participa do processo terapêutico
considerando-se como uma força que atua no campo vivencial do cliente da mesma
maneira que o cliente atua em suas vivências.
O terapeuta considera não só o que se passa com o cliente, mas considera
o que se passa nos três tipos de relação que estabelece:
1)
Relação do terapeuta com ele mesmo;
2)
Relação do cliente com ele mesmo;
3)
Relação do terapeuta com o cliente
O encontro terapêutico vai além do observador/observado, existindo, assim
a unidade “eu/tu”. O terapeuta não é um ser que apenas observa, ele faz parte
da relação a medida em que é atingido por ela.
O terapeuta pode sofrer uma interferência em sua capacidade de escuta
identificando em si o problema do cliente, identificando em si situações
inacabadas, mas precisa haver uma quebra da maneira a qual estava acompanhando
o processo não perdendo o contato com
que o cliente diz, assumindo, assim sua percepção
Um dos desafios pra o terapeuta gestáltico é saber lidar com as próprias
dificuldades, com seus próprios limites e complitudes. Na medida em que o
terapeuta pode se ver , lidar com suas próprias dificuldades, poderá enxergar
melhor o que é seu e o que é do cliente, alcançando melhor eficácia na terapia.
O momento terapêutico é
uma relação de troca, tendo como foco o cliente e não o terapeuta, sendo assim,
o que o terapeuta percebe de seu e que
não é pertinente no momento terapêutico deve deixar em suspensão essa percepção e voltar-se para o contexto do cliente,
podendo em outro momento oportuno trazê-la de volta.
Pode ocorrer situação de dúvida em que o terapeuta não sabe se é algo
somente dele mesmo ou se é algo pertinente à relação terapêutica do momento.
A atitude do terapeuta é clara, ele checa, consulta o cliente sobre o que
ele está percebendo, o que está acontecendo, para juntos avaliarem melhor a
situação.
É preciso compartilhar, pois há um ganho adicional nessa atitude deixando
aberto um canal para que o cliente possa se expressar e tornar o processo
terapêutico mais claro para ele mesmo; ou seja, a idéia é compartilhar para
compreender e não para manipular “ficar n controle”. Ao envolver-se com o
cliente, o terapeuta assume a sua própria humanidade, sua capacidade de
reconhecer suas dores, seus conflitos, acontecem trocas reais. Através dessa
exposição do terapeuta, o cliente percebe que se expor é algo possível e
positivo para a relação, do encontro “eu/tu” e com as novas possibilidades de
se relacionar com o mundo.
Por
Rita de Cássia Moreira
Menezes Mussuri
RESUMO DO TEXTO: “A VIDA SEXUAL DOS SERES HUMANOS (HISTÉRICOS)
·
Primeiramente, aquilo que é sexual é algo
impróprio, algo que não se deve falar;
·
Não é fácil delimitar aquilo que abrange o
conceito de “sexual”. Se tomarem ato sexual como ponto central, talvez
definissem como sexual tudo aquilo que busca o prazer e diz respeito ao
corpo(em especial, os órgãos sexuais de uma pessoa do sexo oposto);
·
Quando reduzem o ato sexual como função de
reprodução, correm o risco de excluir toda uma série de coisas que não visam à
reprodução, mas certamente são sexuais, como por exemplo: a masturbação e até o
mesmo, o beijo;
·
Porém existe um grupo de pessoas cuja “vida
sexual” se desvia, de maneira mais surpreendente do que a habitual. Com isso, são chamadas de “pervertidas”, pois
riscaram de seu programa a diferença entre os sexos;
·
Tanto pessoas de sexos opostos como de sexos
iguais, podem excitar seus desejos sexuais.
As pessoas de sexos iguais, chamadas de homossexuais ou invertidas, têm
um elevado desenvolvimento intelectual e ético, porém são vítimas deste único
desvio fatídico;
·
Através deste comportamento, surge um “terceiro
sexo”, que tem o direito de se situar em pé de igualdade com os outros
dois. Esta classe de pervertidos se
comporta em relação a seus objetos sexuais aproximadamente da mesma forma como
as pessoas normais o fazem com os seus;
·
Nos homossexuais, o objeto sexual foi
modificado, ou seja, renunciaram à união dos genitais e que substituem os
genitais de um dos parceiros envolvidos no ato sexual por alguma outra parte ou
região do corpo e assim, por exemplo: substituem a vulva pela boca ou pelo
ânus). Neste mesmo grupo, existem os fetichistas, em que seus desejos se
satisfazem com uma peça de roupa, um sapato, uma peça de roupa íntima etc.;
·
Mas há casos em que a finalidade sexual é que
foi primariamente modificada, ou seja, este grupo é formado por pervertidos que
transformaram em finalidade de seus desejos sexuais aquilo que normalmente
constitui apenas um ato inicial ou preparatório. São pessoas cujo desejo consiste em olhar
outras pessoas, palpá-las ou espiá-las durante a execução de atos íntimos, ou
pessoas que expõem partes do corpo que deveriam estar encobertas. Existem também, os sádicos, cujas tendências
carinhosas não têm outro fim senão o de causar sofrimento e tormento a seus
objetos, indo desde a humilhação até as lesões físicas graves. Em contrapartida, existem os masoquistas,
cujo único prazer consiste em sofrer toda espécie de tormentos e humilhações de
seu objeto amado, seja simbolicamente, seja na realidade;
·
Freud diz que temos de encarar neste assunto é
um campo de fenômenos como qualquer outro.
Por isso, é necessário dar uma explicação teórica completa da maneira
como essas perversões ocorrem e da sua conexão com aquilo que se descreve como
sexualidade normal;
·
Para Freud, os sintomas neuróticos são
substitutos da satisfação sexual, pois somente será válida se na “satisfação
sexual” incluirmos a satisfação daquilo que se chama necessidades sexuais
pervertidas. Por exemplo, a reivindicação
que fazem os homossexuais ou invertidos de serem uma exceção, desfaz-se
imediatamente ao constatarmos que os impulsos homossexuais são encontrados
invariavelmente em cada um dos neuróticos;
·
A neurose histérica pode produzir seus sintomas
em qualquer sistema de órgãos e, assim, perturbar qualquer função, ou seja,
manifestam-se todos os chamados impulsos pervertidos, que procuram substituir o
órgão genital por algum outro órgão: estes órgãos, então, comportam-se como
genitais substitutivos. Os sintomas da
histeria nos levam a considerar que os órgãos corporais, além do papel
funcional que desempenham, são reconhecidos também como possuidores de uma
significação sexual(erógena) e que a execução da primeira dessas tarefas é
perturbada se a segunda fizer exigências demasiadas;
·
Outras formas desta neurose, as formas
cismáticas, dizem respeito à sexualização de ações que comumente se efetuam
como prévias com vistas à satisfação sexual – uma excessiva sexualização do
querer olhar, tocar ou explorar. Temos
assim, a explicação da grande importância do temor de tocar e da obsessão de
lavar-se. Uma quantidade incrivelmente
grande de atos obsessivos pode remontar à masturbação, da qual constituem
repetições e modificações disfarçadas; sabe-se que a masturbação, embora sendo
uma ação única e uniforme, acompanha as mais diversas formas do fantasiar
sexual;
·
É possível adoecer de neurose em conseqüência de
uma frustração da satisfação sexual normal. Entretanto, quando ocorre uma
frustração real, a necessidade lança-se a métodos anormais de excitação sexual;
·
A investigação psicanalítica teve de ocupar-se
também com a vida sexual das crianças, e isto porque as lembranças e
associações emergentes durante a análise de sintomas adultos remetiam-se
regularmente aos primeiros anos da infância.
Verificou-se que todas estas inclinações à perversão tinham suas raízes
na infância, que as crianças têm uma predisposição a todas elas e põem-nas em
execução numa medida correspondente à sua imaturidade. Em suma, a sexualidade pervertida não é senão
uma sexualidade infantil cindida em seus impulsos separados;
·
Quando Freud fez esta afirmação, a sociedade e
os cientistas sentiram-se na obrigação de negar todo o assunto, pois o fato de
que as crianças possuem aquilo que se pode descrever como vida sexual, a
justeza de nossas observações e a explicação para o fato de encontrarmos tantas
afinidades entre a conduta das crianças e aquilo que mais tarde é condenado
como perversão.
·
Porém, Freud afirma também, que supor que as
crianças não têm vida sexual – excitações e necessidades sexuais e alguma forma
de satisfação – mas adquirem-na subitamente, entre os doze e os quatorze anos
de idade, seria biologicamente tão improvável, e na verdade, tão sem sentido,
como supor que viessem ao mundo desprovidas de genitais e que estes só
aparecessem na época da puberdade. O que
de fato desperta nas crianças, nessa idade, é a função reprodutiva, que para
seus fins, faz uso dos componentes físicos e mentais já anteriormente
presentes;
·
Freud afirma ainda, que a sociedade e os
cientistas cometem um erro ao confundir sexualidade com reprodução, e com isto
estão bloqueando seu caminho para a compreensão da sexualidade, das perversões
e das neuroses. Pois, principalmente a sociedade deve assumir como uma de suas
mais importantes tarefas educadoras domar e restringir o instinto sexual quando
este se dá como impulso à reprodução e sujeitá-lo a uma vontade individual que
é idêntica à ordem da sociedade;
·
As experiências dos educadores os mostrou que a
tarefa de docilizar a tendência sexual da nova geração só poderia ser efetuada
se começassem a exercer sua influência muito cedo, se não esperassem pela
tempestade da puberdade, mas interviessem logo na vida sexual das crianças, que
é preparatória para a puberdade. Por
isso, todas as atividades sexuais foram proibidas às crianças e vistas com maus
olhos; tornou a vida das crianças assexual e, no decorrer do tempo, as coisas
chegaram ao ponto de as pessoas realmente acreditarem que as crianças sejam
assexuais;
·
Freud nos apresenta o conceito de “libido”, que
é o nome da força (no caso, a força do instinto sexual), pelo qual o instinto
se manifesta;
·
Nas crianças, os primeiros impulsos da
sexualidade têm seu aparecimento ligado a outras funções vitais. Seu principal interesse, volta-se para a
ingestão de alimentos; quando as
crianças adormecem, após se haverem saciado ao seio, mostram uma expressão de
satisfação, que se repetirá, posteriormente na vida, após a experiência do
orgasmo sexual;
·
Só podemos atribuir esta forma de prazer a uma
das áreas da boca e dos lábios; a estas partes do corpo denominamos “zonas
erógenas” e descrevemos como sexual o prazer derivado da sucção. O ato do bebê sugar o seio materno é de longe
o ato mais importante em sua vida. E
este sugar importa em fazer o seio materno o primeiro objeto do instinto
sexual;
·
Com o passar do tempo, o bebê, em sua atividade
de sucção, abandona este objeto e o substitui por uma parte do seu próprio
corpo. Começa a sugar o polegar ou a
própria língua. Assim, torna-se
independente do consentimento do mundo externo, no que tange à obtenção de
prazer e acrescenta a excitação de uma segunda área de seu corpo;
·
A sexualidade infantil surgiu ligada à
satisfação das principais necessidades orgânicas e se comporta de maneira
auto-erótica – isto é, procura seus objetos no próprio corpo da criança;
·
Os bebês defrontam-se com o mundo externo como
força inibidora, hostil, ao seu desejo de prazer. Por exemplo, um bebê não deve eliminar suas
excreções em qualquer momento de sua escolha, e sim quando outras pessoas
decidem que deve fazê-lo. Para induzi-lo
a renunciar a essas fontes de prazer, lhes é dito que tudo aquilo que se
relaciona com essas funções é vergonhoso e deve ser mantido em segredo. Não sente repugnância por suas fezes,
valorizando-as como parte do seu próprio corpo, da qual não se separa
facilmente, e usa-as como seu primeiro “presente” com que distingue as pessoas
a quem preza de modo especial;
·
Portanto, a Psicanálise ampliou o conceito de
sexual para compreender a vida sexual dos pervertidos e das crianças e
desvincular o sentido de sexual apenas do sentido de reprodução.
Teorias Psicanalíticas II
Grupo 1
Relacionar
os sintomas da neurose obsessiva e da histeria com o conceito de pulsão.
A
relação dos sintomas da neurose obsessiva e da histeria será melhor
compreendida após a definição de pulsão. Portanto pulsão é uma energia que
sustenta a ação da neurose obsessiva e da histeria. Neurose obsessiva é a
divisão entre o eu que reconhece o fato como absurdo e o eu que não consegue se
desprender do pensamento, das ações, impulsos (compulsões). As ações são
rituais obsessivos onde se tem um auto gasto de energia que para a lógica
consciente não tem finalidade alguma.
Os
sintomas histéricos são desencadeados a partir de um fato recalcado que
aparentemente foi esquecido pelo consciente, porém fica presente no
inconsciente, e a forma que ele encontra para se manifestar é no corpo. Tanto
os sintomas da histeria quanto os sintomas da neurose obsessiva são as formas
encontradas pela pulsão para conseguir satisfação.
A teoria pulsional
tem como característica a bipolaridade, a luta entre uma força psíquica para
trabalhar, a uma força constante. Essa força é a pulsão. Nos sintomas
histéricos o corpo é tomado pela pulsão, o corpo serve não somente ao organismo,
mas também a pulsão existe o sintoma, mas ele não é explicado organicamente, a
sua causa esta no inconsciente.
Grupo 2
Definir as principais características da 1ª teoria pulsional.
A 1ª teoria da
pulsão foi feita para explicar os sintomas da neurose e da histeria (1910).
A principal
característica é a divisão psíquica que é a luta entre duas forças psíquicas,
forças essas que põem o aparelho psíquico para trabalhar se mantendo constante
com forte pressão. Entende-ser sobre essas forças como sendo a pulsão de
auto-preservação ou do ego que consiste como sua fonte de energia, o interesse
onde a satisfação se dá plenamente através da adaptação ao meio, harmonia do
corpo, lógica da consciência, necessidades fisiológicas, preservação da vida,
onde o objetivo externo é fruto da realidade objetiva que promove a satisfação
plena.
Entende-ser pela
outra força a pulsão sexual movida pela energia da libido oriunda do
inconsciente onde a satisfação é sempre parcial, o objeto variável e tem que
servir a fantasia do inconsciente. Reduz a tensão interna do aparelho psíquico
onde a realidade é promovida através de uma mudança da percepção.
Sendo este conceito psicanalítico dinâmico,
a luta entre esses “senhores” provoca, ao mesmo tempo, uma interação onde são
favorecidas ou inibidas as características pulsionais em questão.
Questão 3
Definir a revisão na 1ª teoria pulsional. O relacionamento com a
clínica.
Em 1910 Freud
introduziu o conceito de teoria pulsional para explicar os fenômenos observados
na clínica, como: delírio, neurose obsessiva e histeria. Essa teoria afirma que
o ser humano é constituído de duas forças psíquicas: Pulsão do Ego e Pulsão
Sexual.
Em 1914, com o
surgimento de novos fenômenos da clínica como a megalomania, hipocondria, o
estado do sono e a doença orgânica, Freud resolve fazer uma revisão dessa
primeira teoria pulsional: com ela, ele chega a conclusão de que o ego é o
objeto privilegiado da pulsão. A libido que encontramos ligados aos objetos e
que é expressão do esforço para obter satisfação desses objetos, também pode
deixar os objetos e colocar o próprio ego da pessoa no lugar deles, ao que
Freud chamou de Narcisismo. Como o ego está super investido, o indivíduo
negligência a realidade criando uma realidade psíquica.
Na megalomania ele
se acha o “centro do universo”, é o delírio da auto referência.Na hipocondria há
uma idéia de que seus órgãos estão alterados, sendo a realidade. No estado do
sono o indivíduo desinveste do mundo externo e passa a investir em si mesmo. Na
doença orgânica, há um investimento na dor.
PSICOLOGIA
HOSPITALAR.
POSSIBILIDADES
DE TRABALHO NO HOSPITAL
SERVIÇOS DE PSICOLOGIA HOSPITALAR:
Setor
Ambulatorial
Setor
de Pronto Atendimento
Setor
de Enfermaria
Setor
de Unidades fechadas
Setor
de Psicoterapia Breve
Setor
de Pesquisa Psico-social
Setor
de Cursos
Setor Ambulatorial:
Grupo
de pré-consulta
Grupo
psicoterapêutico
Atendimento
psicológico individual
Interconsulta
Consulta
conjunta
Apoio
a família e/ou acompanhantes
Setor de Enfermaria:
Apoio
psicológico individual
Atendimento
de pré e pós intervenção cirúrgica
Grupos
(informativo, operativo,...)
Atendimento
a família
Trabalha
as relações: médico/paciente; médico/família; médico/equipe
Setor de Pronto Atendimento:
Plantão
Psicológico
Apoio
psicológico individual ao paciente e/ou família
Setor de Psicoterapia Breve:
Atendimento
clínico individual
Contrato:
local, hora, duração, valor, regras.
Medicina x Psicologia Hospitalar
MEDICINA:
Lida
com classes de indivíduo, patologia
Trata
dos aspectos objetivos da doença
Vê
o paciente sozinho
Coloca
a pessoa no lugar de passivo e dependente – “paciente”
PSICOLOGIA HOSPITALAR:
Lida
com o indivíduo particular
Trata
dos aspectos simbólicos, subjetivos que a pessoa tem de sua doença
Entende
que o paciente vem com a sua doença, sua família e com todas as implicações
decorrentes desta intervenção em sua vida
Conscientiza
a pessoa a sair do lugar de passivo, para o lugar de participante do processo
de saúde-doença.
O HOSPITAL, O PACIENTE E O PSICÓLOGO
Questão principal:
Como o
paciente e sua família estão vivendo esta internação?
O HOSPITAL
Do
início de nossa colonização até o séc. XIX servia como ante-sala da morte.
Hoje
é definido como lugar de assistência, pesquisa e ensino. A clientela tem novas
necessidades e os médicos e a equipe novos interesses.
O HOSPITAL E O PACIENTE
DESPERSONALIZAÇÃO
– Deixa de ter significado próprio para significar (diagnóstico).
Rotina
hospitalar x individualidade( a vivência hospitalar é única assim como o
adoecer)
Exames
e conduta clínica invasiva
A
vivência hospitalar pode gerar comportamentos diferentes de pessoa para pessoa
HOSPITALISMO
– nome utilizados para as alterações do humor e do comportamento de pois de
longo período de internação
Objetivo
principal do psicólogo: MINIMIZAR O SOFRIMENTO NA HOSPITALIZAÇÃO
Trabalha
o resgate da pessoa humana: Humanização no Hospital
Respeita
o desejo do paciente – Abre espaço para questionamentos
Trabalha
a relação médico-paciente
Interface
entre paciente e família
(Registra
em prontuário)
A atuação do Psicólogo no
Hospital Roteiro de atendimento
Registro:
verificar prontuário/relatórios
Apresentação
do Psicólogo – atendimento de rotina: eliminação de uma fonte de ansiedade
História
da doença: como começou?, quando começou?, sua evolução, o que já fez (ou não)
até o momento, como esta?
Doenças
anteriores: quais?, sequelas?
Situação
hospitalar atual: sentimentos relativos ao desconhecido/novo (local, outras
pacientes, enfermeiras, médicos...)
Informação
sobre a doença atual: sabe o que tem? por quê está ali? o que será feito? -
identificação de dúvidas para posterior esclarecimento com o médico
Relação
médico-paciente: anterior? atual?
Expectativa
quanto ao futuro: cirurgia? resultados de exames? ansiedade diante da espera, a
volta para casa - relações familiares
Encaminhamento
para alta: quando sairá? para onde irá? (relação/atenção da família), como e
com quem irá embora? algo mudará quando chegar em casa?
Reflexão
acerca da cirurgia/internação: houve alívio/elevação da tensão inicial? por
que? dores? perdas? elaboração do que aconteceu - fechamento
Dúvidas
sobre a cirurgia?: novamente identificação de dúvidas, reforço da importância
de perguntar, esclarecer, informar-se sobre seu organismo/funcionamento
Expectativa
ainda quanto a resultados de exames
Encaminhamento
para serviços de psicoterapia
A Morte
A noção do morrer
O
Morrer como a noção da finitude
O
Morrer como o fim de algo
O
morrer como inicio
A
Morte como metáfora, estamos sempre morrendo ?
Quando
a morte é encarada como a re-edição da angustia do nada – o não ser
A
tentativa de explicar a morte
A
tentativa de impedir a morte X a onipotência
A
Morte e as feridas narcísicas
A Morte para a criança
Inicialmente
a morte é o fenômeno do sono
Num
segundo momento a morte é viva; é a função animista da morte
Finalmente
como um fenômeno natural
A Morte no Hospital
Inicialmente
precisamos falar das doenças :
Agudas
onde o diagnóstico é o inicio do tratamento e do processo de cura
Das
crônicas onde o diagnóstico é a passagem do normal para o anormal sem volta
A Doença Mortal
A
comunicação¨você vai morrer .....
O
Luto e as defesas diante do ¨vere-dito de morte
A
busca pelo culpado na família
A
trama familiar e a nova re-organização da trama familiar
O
lugar do dito morto ( lugar do vazio) vivo
A Morte e a Equipe de Atendimento
A
Morte anunciada e a não anunciada
O
médico, a enfermagem e o psicólogo com a morte
O
comunicar que morreu
A
dor da perda; podemos atenua-la ?
O
que fazer com o desespero diante da morte ?
Saídas para ¨Ler ¨a Morte
Tristeza
Luto
Melancolia
O
Papel do Psicólogo
Trabalhando
com grupos no hospital
TERAPIA -
Interação entre seres: TERAPIA = therapeía
Termo
muito abrangente: inclui diversos tipos de procedimentos.
Médicos
e místico-religiosos;
recursos
naturais;
elemento comum a toda prática terapêutica: o
cuidado
prática
terapêutica: uma prática da interação
Grupos - onde tudo começa
O
homem como ser gregário: formação dos grupo precede a linguagem e possibilita a
sobrevivência.
Século
XX - 1905: Pratt e as “classes coletivas”
-
Utilização dos grupos como recurso terapêuticos;
-
Resultados positivos;
-
Modelo para criação de outros grupos (AA).
•
Pratt
foi o primeiro a utilizar de forma sistemática e intencional as emoções
suscitadas nas interações ocorridas num espaço grupal para a obtenção de
resultados terapêuticos (Osório, 2007).
•
Bion -
1940: conceitos originais sobre a dinâmica grupal.
•
Bion: duas forças interatuantes no campo
grupal: grupo de de trabalho X grupo de supostos básicos.
•
Grupo
de trabalho: Opera no
plano consciente e está voltado para a realização da tarefa.
•
Grupo
de supostos básicos:
subjacente ao grupo de trabalho e em estado latente. Descreve o funcionamento
mental inconsciente dos grupos humanos
•
Dependência:
O grupo se comporta
como se estivesse à espera dos cuidados e da liderança de alguém.
•
O
terapeuta: onipotente, onisciente, salvador
•
Desdobramentos:
idealização, desidealização, ódio, vingança e substituição).
•
Usualmente
em relação ao terapeuta, às vezes em relação a outro membro.
•
Luta
e fuga: movimento de
confronto ou de afastamento das lideranças emergentes no grupo.
•
Risco de
conflito ou evasão.
•
Acasalamento:expectativa messiânica por algo ou
alguém que ainda não chegou ao grupo e que será gerado pelo pareamento entre
dois membros do grupo.
•
Risco:
formação de pares.
Histórico e evolução dos grupos
2ª
Guerra mundial – contexto e realidade:
Grande
demanda por atendimento e
Escassez
de psiquiatras:
Utilização
dos grupos em larga escala como ferramenta terapêutica.
Conceituação de Grupos
Partindo
da noção de que
O
homem é um ser gregário por natureza, que somente sobrevive e evolui a partir
da formação de grupos;
Da
maior utilização dos grupos como ferramenta terapêutica; e
Da
contribuição de diversos autores, ocorre uma melhor conceituação quanto aos
grupos e suas ferramentas.
-
Macrogrupos X Microgrupos
-
Agrupamento X Grupo
-
Interesses comuns x Interesses em comum
Os
microgrupos costumam reproduzir as características sócio-economicas-politicas e
dinâmica psicológica dos grandes grupos.
Agrupamento:
pessoas compartilhando um mesmo espaço.
Grupo: transformação de “interesses comuns” para
“interesses em comum”. Ex: pessoas em um congresso que se reúnem em uma mesma
mesa de trabalho.
Características dos grupos
Nova
entidade, leis e mecanismos próprios;
Membro
reunidos, tarefa e interesses comuns;
Tamanho
adequado à comunicação;
Enquadre;
O
grupo se comporta como uma totalidade;
Duas
forças simultâneas: coesão e desintegração;
A
dinâmica grupal opera em dois planos: grupo de trabalho e grupo de supostos
básicos;
Interação
afetiva entre os membros, de formas variadas;
Distribuição
hierárquica de papéis;
Formação
do campo grupal, onde circulam fantasias, ansiedades, mecanismos defensivos,
fenômenos transferenciais, etc.
Campo Grupal
Formado por
múltiplos fenômenos e elementos do psiquismo:
Interação
permanente e oscilatória entre o grupo de trabalho e grupo de supostos básicos;
Presença
de pulsões, invejas, desejos, etc.
Ansiedade;
Mecanismos
defensivos (membros e grupo);
Identificação;
Papéis;
Vínculos;
Ressonância;
Galeria
de espelhos;
Se
coeso e bem constituído, o grupo torna-se continente das angústias e
necessidades de cada um e do grupo.
Aspectos técnicos - Planejamento
1º:
determinar os objetivos do grupo
2º
: como esses objetivos serão operacionalizados?
Os fatores terapêuticos e a técnica adotada:
Avaliar:
conhecimentos, experiências e equipamentos disponíveis
Estratégia:
como utilizar esses elementos a fim de se obter os resultados esperados? A
organização do grupo visando os fatores terapêuticos.
Definição
do enquadre do grupo: conjunto de procedimentos e de regra que
fundamentam a prática.
Técnicas:
envolve a forma de grupo a ser criado (de apoio, informação, etc), o estilo e a
“linha” do terapeuta e os recursos que serão utilizados.
A
seleção dos membros do grupo.
A
atmosfera grupal e sua relação com os aspectos pessoais do coordenador.
Por fim, o adequado
manejo técnico do grupo envolve basicamente:
Conhecimentos
(muito estudo e leitura);
Habilidades
(treino e supervisão);
Atitudes
(terapia/análise ajudam muito).
Aspectos Técnicos – o Enquadre
Objetivo
População:
Homogêneo/heterogêneo
Critérios
de seleção e desligamento
Coordenação:
co-terapeuta?
Equipe
de apoio?
Aberto/fechado
Duração:
limitada ou ilimitada?
Número
de membros: fixo?
Local
Periodicidade,
duração dos encontros e regras quanto à faltas e atrasos
Estratégia
psicoterápica: suporte, elaboração, psicoterápico, etc.
Atributos desejáveis para um coordenador de grupo
Gostar
e acreditar no
trabalho com grupos.
Amor
às verdades: modelo
de identificação.
Coerência.
Senso
de ética: preservação
do espaço mental individual.
Respeito:
RE (de novo) ESPECTORE (olhar) = olhar de
novo.
Paciência: ativa e baseada no respeito.
Continente: acolher, conter, compreender e desintoxicar (Bion).
Capacidade
negativa: conter suas
próprias angústias de forma a trabalhar com elas produtivamente.
Função
de ego auxiliar:
pensar, discriminar e comunicar.
Traços
caracterológicos:
auto-conhecimento.
Modelo
de identificação.
Empatia: EM (dentro) PATHOS (sofrimento)
Sintonia
e integração:
capacidade de extrair algo em comum das diversas comunicações do grupo,
unificando-as e centralizando-as no objetivo do grupo. Capacidade de juntar os
aspectos de cada um e de todos e poder integrar os opostos no grupo.
Classificação dos Grupos
Zimerman: de acordo com a finalidade:
psicoterápicos (psicodrama, teoria sistêmica,
cognitivo comportamental, psicanálise).
operativos
(realização de tarefas)
Campos: de acordo com a técnica adotada:
grupos de elaboração
grupos de suporte
Grupos
operativos:
de
ensino e aprendizagem (de reflexão, Grupos Ballint);
Institucionais
(escolas, empresas, etc);
Comunitários;
Terapêuticos: melhoria de alguma situação de
patologia / sofrimento.
Grupos terapêuticos (Zimerman)
objetivos e aplicabilidade
Basicamente
são 6 tipos
- adictos;
- Cuidados primários de saúde;
- Reabilitação;
- Sobrevivência social (estigmatizados,
homossexuais, deficientes...)
- Suporte (pacientes crônicos,
terminais);
- Problemas sexuais e conjugais.
Grupos de Suporte
Suporte
social: forma de
relacionamento em que predominam as trocas afetivas, os cuidados mútuos e uma
franca comunicação.
Os
sistemas de suporte implicam em vínculos duradouros que contribuem
significativamente para a integridade física e mental dos indivíduos.
Formação
de uma rede solidária, gerando sentimentos de coesão e apoio,
fornecendo subsídios para o enfrentamento da realidade e agindo como fator
moderador de estresse.
Pesquisa
com gestantes de Cobb 1976:
Incidência
de eventos estressantes
|
Suportes Sociais
alto baixo
|
|
alta
|
33%
|
91%
|
Baixa
|
39%
|
49%
|
Elementos
necessários ao grupo de suporte:
Constância
dos encontros;
Carinho;
Empatia/cuidado;
Comunicação
franca.
Objetivo:
reforço ou reestruturação do self
Excelente recurso para pessoas
doentes, estressadas ou que vivem situações de perda.
Grupos de Suporte - indicações
Excelente
recurso para pessoas doentes, estressadas ou que vivem situações de perda.
Bom
recurso terapêutico para pessoas pouco motivadas a investigar seus conflitos e
pacientes com alto nível de ansiedade.
Também
indicado às pessoas pouco suscetíveis a abordagem analítica e interpretativa,
os que têm pouca capacidade reflexiva e introspectiva, e baixa tolerância às
frustrações.
Pacientes
somáticos: mais suscetíveis à abordagem.
Grupos de Suporte - objetivos
Reforço
ou reestruturação do self.
Elevação
da auto-estima e da confiança;
Maior
conscientização do indivíduo sobre si mesmo e de sua relação com a doença.
Grupos
de reabastecimento ou fortalecimento.
Grupos de Suporte - características
Homogêneo:
a identificação
“As
pessoas reunidas em torno de uma situação comum sentem-se imediatamente identificadas,
unidas umas às outras, compartilhando das mesmas prescrições, recomendações e
angústias” (Campos).
Enfoque
na pessoa a partir da situação;
Propósito
de falar e pensar a partir da situação;
Postura
ativa do terapeuta;
Valorização
do sintoma físico como fonte de atenção;
Relação
coordenador-paciente trabalhando o objetivo (foco) do encontro;
Não
valorização dos dados históricos referentes a doença;
Suporte
ao paciente (auto-estima) e correlação vida-doença (conscientização).
Grupos de Suporte postura do
coordenador
Reunir
as pessoas em torno de alguma situação ou doença comum (grupo homogêneo e
focal);
Ter
postura ativa, apoiadora e acolhedora;
Estimular
a fala dos pacientes (e a expressão dos sentimentos),
favorecendo
a livre discussão;
Valorizar
o aqui e agora;
Dar
ênfase a compreensão e ao esclarecimento;
Manter
atitude afetuosa, cuidadora e empática;
Estimular
a pessoa a buscar recursos de enfrentamento mais amadurecidos;
Oferecer
sua presença de modo regular e constante;
Estimular
a comunicação e a interação da equipe que dá suporte, entre si e com as pessoas
do grupo.
Modelo
de identificação.
Grupos de Suporte fatores terapêuticos
Apoio
dado pela equipe e pelo grupo por meio de relações afetuosas,
asseguradoras
e empáticas mantidas entre todos;
Identificação
e troca de experiências com os outros pacientes;
Espaço
para a expressão de sentimentos (catarse);
Espaço
para a troca de informações e reflexão
acerca da doença e dos fatores a ela relacionados;
Regularidade
no atendimento
Suporte
social è
reforço do self.
O
indivíduo adquire maior conscientização dos fatores que contribuem para sua
doença, e força para abrir mão da somatização como forma de comunicação e
enfrentamento da realidade.
Elevação
da auto-estima e da auto-confiança.
Visão
de mundo mais realista e otimista.
Aumento
da vontade de se cuidar, e de viver bem.
RELAÇÃO
DE FILMES DE ONCOLOGIA, TANATOLOGIA E RELACIONAMENTO
·
A CURA
·
A ÚLTIMA
CEIA
·
ANJOS DE
VIDRO
·
ANJOS DO
SOL
·
ANTES DE
MORRER
·
ANTES DE
PARTIR
·
AS CINCO
PESSOAS QUE VOCÊ ENCONTRA NO CÉU
·
AS PONTES
DE MADISON
·
AS
ÚLTIMAS FÉRIAS DA MINHA VIDA
·
BELEZA
AMERICANA
·
CAÇADOR
DE PIPAS
·
COLCHA DE
RETALHOS
·
CORRENTE
DO BEM
·
DE PORTA
EM PORTA
·
DE QUEM É
A VIDA, AFINAL?
·
DEPOIS DA
CHUVA
·
DIÁRIO DE
UMA PAIXÃO
·
DISTANTES
PARA SEMPRE
·
DOCE
NOVEMBRO
·
DOUTORES
DA ALEGRIA (DOCUMENTÁRIO)
·
EM BUSCA
DA LUZ
·
EM BUSCA
DA TERRA DO NUNCA
·
EM BUSCA
DE UM MILAGRE
·
ENCONTRANDO
FORRESTER
·
ENCONTRO
MARCADO
·
ENSINA-ME
A VIVER
·
ENTRE
QUATRO PAREDES
·
E SE
FOSSE VERDADE
·
EU E AS
MULHERES
·
FALE COM
ELA
·
FEITIÇO
DO TEMPO
·
GOLPE DO
DESTINO
·
IMERSÃO
AZUL
·
INCONSCIENTE
·
INVASÕES
BÁRBARAS
·
ÍRIS
·
K - PAX –
·
LADO A
LADO
·
LINHA
MORTAL
·
MANICA
·
MAR
ADENTRO
·
MENINA DE
OURO
·
MEU PAI,
UMA LIÇÃO DE VIDA.
·
MEU
PRIMEIRO AMOR
·
MINHA
VIDA
·
MINHA
VIDA SEM MIM
·
MINHAS
VIDAS
·
MISTÉRIO
DO PASSADO
·
MOMENTOS
ESQUECIDOS
·
MORANGOS
SILVESTRES
·
NADA É
PARA SEMPRE
·
O AMOR É
CONTAGIOSO (P.ADAMS)
·
O AUTO DA
COMPADECIDA
·
O CAMINHO
DA LUZ
·
O CLUBE
DO IMPERADOR
·
O
LENHADOR
·
O MISTÉRIO
DA LIBÉLULA
·
O ÚLTIMO
DESEJO
·
OUTUBRO
EM NOVA YORK
·
PARA
ROSEANNA
·
PASSAPORTE
PARA O CÉU
·
PERFUME
·
PONETTE -
A ESPERA DE UM ANJO
·
REVELAÇÕES
·
ROMANCE
DE OUTONO
·
SEGREDOS
E MENTIRAS
·
SÉTIMO
SELO
·
SOB A
AREIA
·
SONHOS
·
TERRA DAS
SOMBRAS
·
TERRA DOS
SONHOS
·
TOMATES
VERDES FRITOS
·
TUDO POR
AMOR
·
UM ATO DE
CORAGEM
·
UMA
GRANDE LIÇÃO DE VIDA
·
UMA LIÇÃO
DE VIDA
·
UMA LIÇÃO
DE VIDA - EMMA THOMPSON
·
VIDA QUE
SEGUE
TANATOLOGIA
- DUAS SEMANAS
- O PRESENTE
- A PARTIDA
- ELZA E FRED
- MINHA VIDA SEM MIM
- O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
- LADO A LADO
- ANJO DE VIDRO
- ANTES DE PARTIR
- O AMOR PODE DAR CERTO
- PS EU TE AMO
- A CURA
- E SE FOSSE VERDADE
- FILADÉLFIA
RELACIONAMENTO
- AS MELHORES COISAS DA VIDA (ADOLESCÊNCIA, JOVENS, DROGAS,
SEPARAÇÃO E PRECONCEITO)
- BAGDÁ CAFÉ
- CLOSE PERTO DEMAIS
- A MENINA DA VITRINE
- SETE ANOS NO TIBET
- O AMOR SEM ESCALAS
- TOMATES VERDES FRITOS
- CONDUZINDO MISS DAYSE
- O SORRISO DE MONALISA
- CÉU QUE NOS PROTEGE
- UM SONHO IMPOSSÍVEL
- ENSINANDO A VIVER